A viagem de intercâmbio para a Itália tem tanta coisa pra contar que fica difícil escolher um tema. Mas vamos começar pelos desafios.
Eu já imaginava que seria difícil. Em muitas situações, foi impossível, e em outras, muito mais tranquilo do que eu esperava.
A ida até Roma
Começando pela viagem em si: moro em Florianópolis e não há voos diretos para a Itália. Então, tive que ir até o Rio de Janeiro e, de lá, seguir para Roma. Não posso reclamar, foi bem tranquilo.
Para quem não sabe, eu sempre solicito o serviço de acompanhamento da companhia aérea. Primeiro porque ando devagar e, com trocas de portão e mudanças de voo, isso pode virar um problema.
Dica de viagem: Se você tem algum problema de mobilidade, ou simplesmente se sente inseguro para viajar, solicite esse serviço. Normalmente, ele é gratuito e muito eficiente!
A ponte inclinada e os primeiros obstáculos
A primeira dificuldade apareceu no trajeto entre a escola e o centro da cidade. Não era muito tempo, mas havia uma cavalcavia , que é uma ponte seca. O problema? A ponte tal era um arco superinclinado.
Isso acabou dificultando muito minha locomoção. Resultado: fui poucas vezes ao centro, onde ficaram os restaurantes, lavanderia, farmácia e supermercado. Por sorte, havia um mercadinho na quadra da escola que me salvou!
Ônibus apertados e perrengues de grupo
Outro perrengue foram os ônibus das viagens organizadas pela escola. Não sei se é regra na Itália, mas o espaço para as pernas era mínimo! Agora, imagine uma pessoa com 1,76 m de altura e uma prótese no quadril... Pois é, complicado.
Quando dava, eu me senti no primeiro banco, que parecia ter mais espaço. Mas sempre tem aqueles que correm na frente pra pegar o melhor lugar. Conclusão: para algumas pessoas, a adolescência nunca acaba!
Cidades medievais, beleza e obstáculos
A Itália é um país antigo, repleto de cidades medievais. Para mim, um dos maiores atrativos! Mas isso também traz desafios para a locomoção. Muitas vezes, os ônibus paravam em um ponto específico, e o restante do trajeto era feito a pé, de trem ou de barco. E, claro, com muitas escadas pelo caminho.
Eu caminho com o auxílio de uma bengala, então preciso prestar muita atenção. Estar em um grupo de intercâmbio, com mais de 100 pessoas, foi ótimo, mas também desafiador. A maioria do grupo não tinha limitações e andava rápido, sem muita preocupação. O guia tinha um roteiro a seguir e não podia esperar pelos retardatários.
Fazendo meu próprio caminho
No primeiro passeio, percebi que não iria conseguir acompanhar. Então, resolva-me adaptar: sempre perguntava o ponto de encontro e o horário e fazia o meu próprio roteiro. Muitas vezes, nem saía da praça principal. E tudo bem!
Mas fiquei chateado em algumas situações. Em cidades que eu queria muito explorar, a data escolhida foi… infeliz. Quando fomos para Perugia, por exemplo que tem uma universidade fundada em 1300 (consegue imaginar isso?!) estava apostando no Eurochocolate. Resultado: trens, restaurantes, lojas, ruas… tudo lotado! Passei a maior parte do tempo sentado na escadaria da igreja.
Florença, maratona e frustração
Em Florença, outro contratempo: a cidade estava tomada por uma maratona que percorria todo o centro. Eu queria muito ver o Davi de Michelangelo na Galleria dell'Accademia, mas foi impossível chegar até lá. Na tentativa de chegar lá fui empurrado contra uma parede que tinha uma armação de ferro e machuquei a perna. Fiquei com hematomas por semanas.
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Nem tudo foi como prometido
Antes de embarcar nesse intercâmbio, perguntei várias vezes à empresa que contratei se conseguiria acompanhar o ritmo. Expliquei minhas limitações, e foi-me garantido que não teria problemas. Segundo eles, até pessoas com mais de 90 anos fizeram o percurso tranquilamente. Bem… não foi o que aconteceu na prática.
Dica importante: Descubra bem sobre a realidade do local antes de ir. Eu não me arrependo da viagem, mas tive algumas decepções pelo caminho!
E ainda tem mais…
Teve outras coisas que não eram como eu esperava… mas isso fica para o próximo post.



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